Nem toda negativa vem de falta de direito. Boa parte dos indeferimentos que chegam ao escritório tem origem em falhas evitáveis, cometidas antes mesmo da perícia. Estes são os erros que mais aparecem e o que fazer a respeito de cada um.
1. Escolher o serviço errado no aplicativo
Quem agenda perícia de benefício por incapacidade e comparece dizendo que trabalha normalmente recebe conclusão de capacidade laborativa. Essa frase entra no histórico e passa a atrapalhar.
Correção: requerer no serviço correspondente ao auxílio-acidente e explicar, logo na primeira frase da perícia, que houve retorno ao trabalho com sequela permanente.
2. Levar apenas o diagnóstico
Atestado com o código da doença e três palavras não demonstra nada. O perito precisa de dados funcionais.
Correção: relatório com amplitude de movimento em graus, força, medidas de atrofia, alteração de marcha, e a afirmação de que o quadro está consolidado.
3. Não saber descrever a própria função
Dizer que trabalha na construção civil informa pouco. O peso, a repetição, a altura e a jornada é que traduzem o esforço maior.
Correção: levar uma página escrita com a rotina real, incluindo o que você deixou de fazer depois do acidente.
4. Minimizar as limitações
Muita gente responde que está bem por hábito, por orgulho ou por medo de parecer exagerada. O laudo registra exatamente isso.
Correção: responder com fatos concretos. Consigo trabalhar, mas uso analgésico duas vezes por semana, preciso de pausas, não subo mais em escada, troquei de função.
5. Exagerar
O oposto também derruba. Simulação percebida contamina todo o relato, inclusive a parte verdadeira.
Correção: descrever a limitação real, sem inventar. A verdade bem documentada basta.
6. CNIS desatualizado
Vínculo faltando gera negativa por ausência de qualidade de segurado, mesmo quando a pessoa trabalhava com carteira assinada.
Correção: conferir o CNIS antes de pedir e providenciar o acerto com carteira, holerites, ficha de registro e rescisões.
7. Não responder a exigência dentro do prazo
O aviso aparece no aplicativo e não chega por carta. Sem resposta, o pedido é encerrado.
Correção: ativar notificações, conferir o Meu INSS toda semana durante a análise e cumprir a exigência no próprio pedido, sem abrir um novo.
8. Perder o prazo de recurso
São trinta dias contados da ciência da decisão. Depois disso, resta novo requerimento, com nova data de entrada e perda de retroativos.
Correção: anotar a data do indeferimento e recorrer com enfrentamento do motivo exato, como mostramos no texto sobre o recurso administrativo.
9. Aceitar a frase de que a lesão é pequena
Sequela de grau leve é um dos fundamentos mais usados nas negativas, e ele contraria a tese firmada em recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o benefício é devido ainda que mínima a lesão.
Correção: invocar o Tema 416 e mostrar, no próprio laudo, as respostas que reconhecem sequela, nexo e maior esforço.
10. Desistir depois da primeira negativa
Esse é o erro mais caro de todos. A perícia administrativa dura poucos minutos e não tem contraditório. A perícia judicial é feita por profissional nomeado pelo juízo, com quesitos das partes, e muda o resultado com frequência.
Correção: avaliar tecnicamente a negativa antes de arquivar o assunto. Cada ano parado significa doze parcelas perdidas na ponta mais antiga.
Um resumo do que fazer antes de pedir
- baixar CNIS e histórico de benefícios;
- pedir relatório funcional ao médico assistente;
- reunir exames antigos e atuais, com laudo legível;
- escrever a descrição da função;
- conferir a data da alta do benefício anterior, que define o início do pagamento;
- requerer no serviço correto e acompanhar o aplicativo.
Perguntas frequentes
Fui negado por sequela leve. Tem recurso?
Tem, e esse fundamento é justamente o mais frágil diante da jurisprudência.
Posso mudar o pedido depois de protocolado?
Em regra é melhor corrigir logo, apresentando esclarecimento no próprio processo administrativo.
O INSS negou duas vezes. Ainda vale a Justiça?
Pode valer, porque a perícia judicial é independente e a análise das provas é mais ampla.
Preciso refazer exames caros?
Nem sempre. Muitas vezes basta um relatório funcional bem feito com base nos exames existentes.
Recebeu a negativa e não entendeu o motivo? Traga a carta e o dossiê para leitura técnica. Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp.