Como funciona a ação judicial de auxílio-acidente

Como funciona a ação judicial de auxílio-acidente - Dra. Ivenise Rocha, advogada previdenciária em Goiânia

Quando o pedido administrativo é negado e o recurso não resolve, sobra a via judicial. Ela assusta quem nunca entrou em um processo, mas o caminho é mais previsível do que parece.

Onde a ação é proposta

Ações contra o INSS correm na Justiça Federal. Quando o valor discutido não passa de sessenta salários mínimos, o caso vai para o Juizado Especial Federal, que é mais rápido e não condena o perdedor em honorários na primeira instância. Em alguns municípios sem vara federal, a Justiça Estadual pode julgar, por delegação de competência.

Casos de acidente de trabalho seguem regra própria de competência, e por isso a análise inicial importa.

As etapas

  • Petição inicial, com os documentos médicos e o histórico do pedido administrativo.
  • Perícia judicial, feita por médico nomeado pelo juiz, equidistante das partes. É o momento mais importante do processo.
  • Manifestação sobre o laudo, quando se impugnam conclusões e contradições.
  • Contestação do INSS, que costuma vir em formato padronizado.
  • Sentença.
  • Recurso, se necessário, para a Turma Recursal ou para o Tribunal Regional Federal.
  • Cumprimento da sentença, com a implantação do benefício e o pagamento dos atrasados.

Quanto tempo leva

Não há resposta única. No Juizado, casos simples podem terminar em um ano ou pouco mais. Havendo recurso, o prazo se estende. A implantação do benefício, quando há determinação judicial, costuma ocorrer em poucas semanas depois da ordem.

Custa caro?

Quem não tem condições de arcar com custas pode pedir a gratuidade da justiça. Os honorários do advogado normalmente são contratados como percentual sobre o resultado, o que significa que não há desembolso no início. Vale conferir a página sobre recurso e processo judicial.

A contestação padronizada do INSS

Quem lê o processo pela primeira vez se assusta com o volume da defesa. Na prática, boa parte dela é formulário, com argumentos genéricos que não tratam do caso concreto nem mencionam as doenças discutidas. Esse aspecto é explorado na impugnação, que aponta a ausência de enfrentamento específico e devolve o foco às provas do processo.

Outro ponto frequente é o pedido de nova perícia depois de laudo desfavorável ao INSS, formulado por quem não apresentou quesitos nem assistente técnico no momento próprio.

Depois da sentença favorável

Reconhecido o direito, vem a implantação do benefício e o cálculo dos atrasados. Valores dentro do limite legal são pagos por requisição de pequeno valor, com liberação em poucos meses. Acima desse limite, o pagamento se dá por precatório, com calendário próprio.

É nessa fase que se confere se a data de início, a renda mensal e os índices de correção foram aplicados corretamente. Erro de cálculo nessa etapa é comum e pode ser questionado antes da homologação.

Perguntas frequentes

Preciso ter pedido no INSS antes de entrar na Justiça?

Em regra sim, é necessário demonstrar que houve requerimento administrativo e negativa.

Vou ter que comparecer a audiências?

Nesse tipo de ação, o comparecimento essencial é o da perícia.

Se eu perder, pago alguma coisa ao INSS?

No Juizado Especial Federal não há condenação em honorários em primeiro grau. Em outras hipóteses, a gratuidade suspende a exigência.

Se o INSS negou o seu benefício, traga a carta de negativa para uma análise. Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp.