O ombro é a articulação que mais aparece nos pedidos de benefício por sequela. Ele reúne tudo o que complica a vida de quem trabalha com os braços: amplitude grande de movimento, tendões finos e uso constante acima da linha da cabeça.
Quando a lesão do ombro vira auxílio-acidente
Duas portas levam ao benefício. A primeira é o acidente, uma queda, um esforço brusco, um levantamento de peso que rompeu o tendão. A segunda é a doença ocupacional, quando anos de movimento repetitivo desgastaram o manguito rotador, situação equiparada a acidente pela lei.
Em qualquer das portas, o que se analisa depois é o mesmo: o quadro consolidou, ficou sequela definitiva e o trabalho passou a exigir mais esforço.
O que o exame precisa mostrar
A ressonância magnética é o exame central, porque descreve a ruptura, se é parcial ou completa, e o estado dos tendões. O relatório do ortopedista deve registrar a amplitude de movimento em graus, a força e os testes específicos. Quem opera deve juntar o descritivo cirúrgico e a evolução pós-operatória.
Vale lembrar que cirurgia bem sucedida não elimina o direito. Muita gente opera, recupera parte do movimento e continua sem conseguir trabalhar com o braço acima do ombro por longos períodos.
A relação com a função exercida
Pintor, eletricista, estoquista, cabeleireiro, caixa de supermercado, motorista que amarra carga, doméstica que limpa janela e teto. Descrever a atividade com esse nível de detalhe é o que permite ao perito e ao juiz enxergar o esforço adicional. Quem se limita a informar o cargo perde a chance de mostrar o essencial.
Se você já teve o pedido negado, veja os motivos mais comuns da negativa e o que fazer.
Movimento acima da cabeça é o ponto crítico
O manguito rotador sofre quando o braço trabalha acima da linha do ombro. Pintar teto, instalar forro, abastecer prateleira alta, carregar material no ombro, lavar vidro, tudo isso concentra esforço exatamente na região lesionada. É essa correspondência entre a lesão e o gesto de trabalho que precisa aparecer no laudo.
Vale registrar também as noites mal dormidas, porque a dor noturna ao deitar sobre o lado afetado é característica dessas lesões e interfere no rendimento do dia seguinte.
Antes e depois da cirurgia
Quem opera passa por um período longo de reabilitação, com uso de tipoia e fisioterapia por meses. A recuperação raramente devolve a amplitude integral. Junte o descritivo cirúrgico, a evolução da fisioterapia e uma ressonância pós-operatória, se houver, porque esses documentos mostram o resultado final alcançado.
Se a empresa readaptou você para outra função depois da cirurgia, guarde esse registro. A readaptação é um reconhecimento prático de que a função anterior ficou comprometida.
Perguntas frequentes
Tenho tendinite sem ruptura. Dá direito?
Pode dar, se o quadro for permanente, tiver nexo com o trabalho e gerar limitação.
Recebi auxílio-doença por causa do ombro e voltei. Preciso pedir de novo?
Sim, o auxílio-acidente é um pedido próprio, ainda que devido desde o dia seguinte à alta.
E se os dois ombros estiverem lesionados?
O benefício é único, mas a extensão da limitação pesa na demonstração do esforço maior.
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