Lesão no joelho: quando cabe o auxílio-acidente

Lesão no joelho: quando cabe o auxílio-acidente - Dra. Ivenise Rocha, advogada previdenciária em Goiânia

Quem machuca o joelho descobre rápido quantas atividades dependem dele. Subir escada, agachar, levantar peso, ficar de pé oito horas, dirigir no trânsito parado. Depois do tratamento, a sensação de insegurança na articulação costuma permanecer, e isso tem repercussão previdenciária.

Lesões que costumam deixar sequela

  • ruptura do ligamento cruzado anterior, operada ou não;
  • lesão de menisco com meniscectomia, quando parte do menisco é retirada;
  • fratura de platô tibial ou de patela;
  • artrose pós-traumática, que aparece anos depois do acidente;
  • instabilidade articular com episódios de falseio.

O que muda no trabalho

A sequela de joelho aparece na resistência. A pessoa consegue fazer o serviço, mas termina o dia com dor e inchaço, evita agachar, apoia o corpo do lado bom, precisa de pausas. É esse conjunto que caracteriza o maior esforço, expressão central do auxílio-acidente.

Para quem trabalha em pé, em obra, em linha de produção, em limpeza ou na roça, o impacto é ainda mais direto.

A prova

Ressonância magnética, descritivo cirúrgico quando houve operação, relatório do ortopedista com medição de amplitude e testes de estabilidade, além do histórico de fisioterapia. Radiografias com carga ajudam a demonstrar desgaste articular.

Se o acidente aconteceu fora do serviço, o direito continua existindo, como explicamos no texto sobre acidente de qualquer natureza.

A sequela que aparece com o tempo

O joelho tem uma característica que atrapalha o reconhecimento do direito: parte das consequências surge anos depois. A meniscectomia de hoje se transforma na artrose de daqui a dez anos, e a instabilidade ligamentar acelera o desgaste da cartilagem. Quando o quadro se agrava, o acidente original já ficou para trás nos registros.

Por isso vale guardar toda a documentação da época do trauma. Ela é o elo que liga a artrose atual ao acidente antigo, e sem ela a discussão do nexo fica muito mais difícil.

Funções em que o impacto é maior

Pedreiro, servente, pintor, jardineiro, entregador, cobrador, garçom, operador de máquina, trabalhador rural, profissional de limpeza. São atividades que exigem agachar, subir, permanecer em pé e deslocar-se o dia inteiro. Em todas elas, a limitação de joelho se traduz em esforço maior e em redução do ritmo.

Descreva quantas vezes por dia você agacha, quantos degraus sobe, quanto tempo permanece em pé e que peso carrega. Esse detalhamento é o que dá concretude ao pedido.

Quando a cirurgia não resolve tudo

A reconstrução do ligamento cruzado devolve estabilidade na maioria dos casos, mas nem sempre devolve confiança. É comum o paciente relatar que o joelho ainda falha em terreno irregular, que evita correr e que sente insegurança ao descer escada carregando peso. Essa limitação funcional tem valor probatório e deve constar do relatório médico.

Some a isso a perda de massa muscular na coxa, medida em centímetros pelo ortopedista, que é um dado objetivo e costuma impressionar na avaliação pericial.

Perguntas frequentes

Fiz a cirurgia e recuperei bem. Ainda tem direito?

Pode ter, se ficou limitação permanente, ainda que parcial.

Tenho artrose. O INSS diz que é da idade.

Se houve trauma anterior na mesma articulação, a discussão passa pela concausa, e o agravamento pelo acidente ou pelo trabalho é reconhecido pela lei.

Uso joelheira para trabalhar. Isso conta?

Conta como indício de limitação, especialmente se prescrita por médico.

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