Doença ocupacional e toda condição de saúde que se desenvolve ou se agrava por causa das atividades exercidas no trabalho. Diferente do acidente de trabalho — que é um evento súbito — a doença ocupacional surge gradualmente ao longo do tempo, muitas vezes sem que o trabalhador perceba a relação com o trabalho.
As doenças ocupacionais mais comuns incluem:
Lesões por esforços repetitivos que afetam musculos, tendoes e nervos dos membros superiores.
Lesão nos discos intervertebrais causada por esforços repetitivos, carregamento de peso ou ma postura no trabalho.
Lombalgia, cervicalgia e outras condições da coluna vertebral relacionadas ao trabalho.
Inflamacao dos tendoes e bursas articulares causada por movimentos repetitivos no trabalho.
Compressao do nervo mediano no punho, comum em trabalhadores que fazem movimentos repetitivos com as maos.
Perda auditiva induzida por ruido ocupacional, comum em trabalhadores de industrias e construção civil.
Ambos dão direito ao auxílio-acidente, mas possuem características diferentes.
Você tem mais direitos do que imagina. Conheça os principais.
Benefício mensal de 50% do salário de benefício, pago pelo INSS e cumulativo com o salário. Vitalício até a aposentadoria.
Após receber alta do auxílio-doença acidentario (B91), você tem garantia de emprego por 12 meses. A empresa não pode demitir você.
Dependendo do caso, você pode ter direito a indenização por danos morais e materiais contra a empresa que causou a doença.
Essas são as profissoes que mais geram doenças ocupacionais e acidentes de trabalho no Brasil.
LER, perda auditiva, problemas respiratorios
Quedas, fraturas, hérnia de disco, coluna
LER/DORT, tendinite, túnel do carpo
Hérnia, coluna, tendinite, artrose
Coluna, hérnia de disco, problemas articulares
Túnel do carpo, tendinite, LER, coluna cervical
Material para trabalhadores de Goiania que desenvolveram LER, DORT, hipoacusia ou outras doencas relacionadas ao trabalho. Cada analise reune base legal, criterios medicos e o procedimento que costuma ser adotado para reconhecimento do nexo ocupacional, sem promessa de prazo ou de resultado.
Doenca ocupacional, para fins de auxilio-acidente, e a enfermidade adquirida ou desencadeada em razao da atividade laboral. O artigo 20 da Lei 8.213/91 distingue duas modalidades: doenca profissional (decorrente do exercicio peculiar da atividade, listada no anexo II do Decreto 3.048/99) e doenca do trabalho (adquirida em funcao de condicoes especiais em que o trabalho e realizado). Ambas se equiparam ao acidente de trabalho para fins de concessao do auxilio-acidente, conforme artigo 21, inciso I, da mesma lei.
O reconhecimento da doenca ocupacional pelo INSS passa pela classificacao do CID-10 e pela demonstracao do nexo com a atividade laboral. Quadros como M65 (sinovite e tenossinovite), M75 (lesoes do ombro), M77 (entesopatias), G56 (mononeuropatias dos membros superiores) e H83 (hipoacusia neurossensorial) sao frequentemente vinculados a atividades ocupacionais. Em casos de aplicacao do NTEP, a presuncao de nexo decorre da correlacao estatistica entre o CID e o CNAE da empresa, conforme Decreto 6.042/2007.
Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinonimos, ha distincao tecnica reconhecida pela Instrucao Normativa INSS 98/2003 e pela literatura medica. LER e a denominacao mais antiga, associada a lesoes especificas decorrentes de esforco repetitivo. DORT e o termo adotado pelo Ministerio da Saude, mais abrangente, que inclui disturbios musculoesqueleticos relacionados ao trabalho em sentido amplo, abrangendo posturas inadequadas, sobrecarga estatica e estresse fisico. Para o INSS, ambas configuram doenca do trabalho equiparada a acidente.
Como advogada em doenca ocupacional em Goiania, o caminho costuma iniciar por triagem documental: reuniao de prontuario medico, exames complementares, registros de afastamento, descricao do posto de trabalho e PPP. Em seguida, analiso aplicabilidade do NTEP. Quando o NTEP se aplica, o pedido administrativo costuma ter melhor desfecho. Quando nao se aplica, e necessaria producao probatoria mais robusta, frequentemente com laudo medico especializado e parecer de medico do trabalho.
O Nexo Tecnico Epidemiologico Previdenciario foi introduzido pelo artigo 21-A da Lei 8.213/91, acrescentado pela Lei 11.430/2006, e regulamentado pelo Decreto 6.042/2007. O mecanismo se baseia em correlacao estatistica entre determinadas patologias (classificadas pelo CID-10) e atividades economicas (definidas pelo CNAE). Quando ha correspondencia significativa, presume-se que a doenca tem origem ocupacional, invertendo-se o onus probatorio em desfavor do INSS e da empresa.
No momento da pericia administrativa, o sistema do INSS verifica automaticamente se ha aplicacao do NTEP ao caso concreto, cruzando o CID atribuido pelo perito com o CNAE da empresa registrada no vinculo do segurado. Quando o cruzamento indica nexo presumido, o perito deve registrar essa informacao e o beneficio segue para concessao, salvo elementos contrarios. Quando o NTEP nao se aplica, o segurado precisa demonstrar o nexo por outros meios.
Quando o NTEP se aplica, a presuncao legal e de origem ocupacional. Cabe ao INSS ou a empresa demonstrar tecnicamente que a doenca tem outra origem para afastar o nexo. Essa inversao tem efeito pratico significativo: o segurado nao precisa, em principio, produzir prova robusta do nexo causal. Basta apresentar diagnostico, vinculo empregaticio e indicar que a empresa possui CNAE correspondente. Cabe ao INSS impugnar tecnicamente a presuncao.
O NTEP nao se aplica a todos os casos. Quando ha mais de um vinculo, quando o trabalhador atuou em CNAE diverso da empresa registrada ou quando o perito identifica fatores extra-ocupacionais relevantes, a presuncao pode ser afastada. Nessas hipoteses, o caminho exige reconstrucao probatoria com PPP, LTCAT, prontuario medico e, eventualmente, prova testemunhal. A estrategia se define apos analise tecnica do caso concreto.
A Sindrome de Burnout foi reconhecida pela Organizacao Mundial da Saude (OMS) e incorporada ao CID-11 sob o codigo QD85, classificada como fenomeno relacionado ao emprego decorrente de estresse cronico no trabalho que nao foi gerenciado com sucesso. Embora a CID-10 brasileira ainda use codigos como Z73.0 e F43, a evolucao normativa caminha para reconhecimento expandido. Para fins previdenciarios, o burnout pode ser enquadrado como doenca do trabalho quando demonstrado o nexo com as condicoes laborais especificas.
O anexo II do Decreto 3.048/99 traz, em sua Lista B, transtornos mentais relacionados ao trabalho. Inclui dementia organica, transtornos mentais por uso de substancias psicoativas, transtornos do humor, transtornos neuroticos relacionados ao stress, dentre outros. Essa lista, embora exemplificativa, fornece base normativa para reconhecimento administrativo e judicial de doencas mentais ocupacionais.
O reconhecimento de doenca mental ocupacional enfrenta resistencia maior que o de doencas fisicas, em razao da dificuldade tecnica de demonstrar o nexo causal especifico. A estrategia tecnica costuma envolver laudo psiquiatrico ou psicologico detalhado, descricao das condicoes laborais, eventual prova testemunhal sobre o ambiente de trabalho e, quando aplicavel, parecer pericial do CEREST (Centro de Referencia em Saude do Trabalhador). Em demandas similares, a producao probatoria adequada tem permitido reconhecimento.
O pedido administrativo pode ser apresentado via Meu INSS com a documentacao psiquiatrica completa. Quando indeferido, o caminho recursal segue a regra geral do auxilio-acidente: recurso a Junta de Recursos em 30 dias ou acao judicial direta. Na via judicial, a pericia psiquiatrica costuma ser realizada por perito especializado, com possibilidade de assistente tecnico. O TRF da 1 Regiao tem reconhecido, em diversos julgados, o auxilio-acidente em casos de transtornos mentais com nexo ocupacional demonstrado.
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